segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cobertura do encontro cultural no OSAM (Obra Social André Marcel)

Sábado de tarde, calor. Algumas discussões, prática de surf em ônibus. E a alegria sempre ali, no peito, afinal estamos indo para mais um evento!

Desta vez, trata-se de um tipo de encontro cultural no OSAM (Obra Social André Marcel) – um centro espírita voltado a obras sociais -, envolvendo apresentações de dança, capoeira e teatro. Ah sim, esse evento foi organizado justamente para comemorar o sucesso da peça Dois Cumpadi, apresentada pelo grupo de teatro Alendarte, liderados pelo professor Júnior Alves. Turma raríssima, muito gente fina e receptiva. E o interessante é que todos estão ali por paixão, almejando desenvolvimento e crescimento, mesmo que não tenham intenção – ou possibilidade - de se profissionalizar no ramo.

Luiz Quadrio e eu chegamos uma hora e meia antes do início do programa para ajudar nos preparativos, e como sempre digo, essa é a melhor hora para conhecer as pessoas do lugar. E como a vida tem dessas coisas, acabei falando com um garoto desenhista, o André, que faz parte da associação Fusão HQ, conhece o Nanquim Descartável (resenhado aqui), e também tem contato com o Thiago Spyked, que por sua vez conheço de um Anime Dreams passado, e venho mantendo contato atualmente!

Falando em eventos de anime (!!), lá também estava Aline, cosplayer por hobby, que encomenda suas roupas e já encenou algumas vezes nos Friends da vida. E ela estava lá justamente para ajudar no evento com sua roupa de personagem do Pandora Hearts, com uma pitada de Tamaki-sempai (Ouran Host Club) <3

Foi com esses dois que conversamos apaixonadamente sobre animes e preferências, até uma garota (superfofa) se aproximar e nos fazer perceber que estávamos nos aprofundando demais no gueto, e deixando os outros de lado (haha ops).

E como estávamos ali para ajudar, nos levantamos, arregaçamos as mangas, recortamos e colamos desenhos nas paredes, ajudamos a organizar cadeiras e mesas, até varremos chão, todos animados e embalados pela voz potente do professor, ajudando, montando o palco, coordenando o pessoal.

Rápido assim deu seis horas, e os convidados começaram a chegar. Família, amigos. Abraços, conversas. Crianças correndo, adultos comprando guloseimas. O Júnior anunciou em alto e bom som que os ovos e presentes de páscoa estavam à venda e com um bom preço.

Aproximadamente uma hora depois foram todos chamados ao espaço de apresentações, onde o grupo de capoeira, coordenado pelo divertidíssimo Marcel Fernando, fez sua apresentação de uma dança que, segundo ele próprio, era originalmente pra ser feita com facões, mas por alguma razão não foi permitido. Mas que sim, ele gostaria de ver as crianças dançando com as pexeiras. Aham.

Em seguida veio uma dançarina e seu pandeiro nos apresentar sua coreografia que parecia um balé estilizado, a qual, segundo ela, foi baseada na Esmeralda do filme O Corcunda de Notre Dame da Disney, e que demorou seis meses para planejar, ensaiar e apresentar.

Terminados os batuques e a dança, todos voltaram aos comes e bebes, conversas e confraternizações. O Luiz apresentou alguns de seus quadros e desenhos aos interessados que passavam por perto, a Aline modelava para fotos e entretinha os convidados, o Júnior anunciava que os ovos e presentes estavam à venda, e as crianças brincavam entre si.

O espaço do centro, já pequeno, ficou deveras cheio, de pequenos, grandes, novos e velhos. De sorrisos e diversão. De alegria.

A apresentação seguinte foi de duas garotas e seus violões, os quais cantaram Que País é Esse, do Capital Inicial, e Hey Joe, do Rappa, entre outros sucessos nacionais.

E mais andanças, conversas, risadas, fotografias, comilanças. O tempo passa tão rápido nessas horas...
Tão rápido que, quase sem percebermos, já estava na hora da apresentação final, a peça Dois Cumpadi, uma comédia que fala sobre pessoas humildes (homem, mulher e o filho) passando a perna num senhor de terras rico. Eu infelizmente tive que ir embora bem no começo. Snif. (mas o Luiz falou depois que foi muito boa! Disse que o pessoal riu e se divertiu muito! Que ótimo!^^)

Espero que estas poucas palavras consigam, ao menos, traduzir uma pequena parte da energia renovadora, da aura de alegria, leveza e receptividade na qual estávamos. Todos reunidos como uma grande família, nos sentindo extremamente à vontade.

Assim como deve ser.

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Links interessantes:

Mais Fotos: 

enjoy^^

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Resenha: Nanquim Descartável (4)

"As apaixonadas aventuras de Ju e Sandra"


Criação, Roteiro e Edição: Daniel Esteves
Desenhos: Wanderson de Souza, Mário Cau, Júlio Brilha, Fred Hildebrand, Wagner de Souza, Alex Rodrigues, Mário César e Carlos Eduardo.
Impressão: Gráfica Juizforana 
Distribuição: Via Lettera e Quarto Mundo
Páginas: 96
Publicação: 2010



Onde realidade, sentimentos e sonhos se encontram e entrelaçam. 
O resultado? A vida. 




A quarta edição da série vem em formato álbum, com mais uma história completa de Ju, Sandra, Tuba e novos agregados. Desta vez finalmente descobrimos quem é o ex-namorado que atormenta os pensamentos de Ju, e acompanhamos uma importante e estranha conversa que resolverá esse conflito existente desde a primeira edição. Além disso, vemos Sandra viajando para sua cidade natal e também encontrando com um ex-namorado, porém, com resultados bem diferentes do encontro de Ju. Enquanto tudo isso ocorre, Tuba empenha-se em tentar descobrir se já teve alguma paixão na vida. Uma história sobre paixões perdidas, mudanças e passado.
(sinopse retirada de: 


Ao abrir esta revista, nos deparamos com a frase "essa é a história onde nada acontece, mas muita coisa é dita".  
E Daniel Esteves não poderia ter definido melhor sua obra.
Bom, para chegar a este ponto, vamos começar do começo, e é muito justo falar aqui não só da edição 4, mas sim das 4 como um todo (coloquei esta aqui porque assim fica mais fácil de identificar, e porque sinceramente a acho uma das mais marcantes. Mas vamos com calma).

Uma história aparentemente simples no começo: momentos no cotidiano de jovens adultos com seus rolos, problemas, brigas e comédias. Jovens artistas tentando sobreviver em meio à selva urbana paulistana "cinza" - como diz a personagem Ju. 

Na primeira edição tem-se exatamente isto: a apresentação dos personagens e história. Na segunda edição, situações envolvendo-os, alguns questionamentos internos, certos segredos-iceberg mostrando apenas sua pontinha. Sinceramente, interessante, mas nada muito surpreendente - e como foi colocado lá no começo, nem é a intenção do autor. 

Não senti grande empatia pela história nessas duas primeiras leituras porque são o retrato de cotidianos que não fazem parte do meu universo, o que acabou gerando um certo distanciamento (sendo este não muito bom para a fidelização do público - mas repito, por enquanto,  o tal "público" se resume a euzinha).

http://tinyurl.com/44n42xt
No terceiro volume as situações começam a ser melhor explicadas, Daniel começa a revelar mais o íntimo de seus personagens, principalmente de Ju. Foi justamente a partir daí que começou a grande empatia que tenho por esta obra. 
É o salto do particular para o geral, de algo específico pra temas mais abrangentes e mais tocantes. Um marco essencial. Afinal todos convivemos com aqueles pensamentos e sentimentos alguma vez, e portanto nos identificamos com os personagens, criamos laços - o que é, então, o essencial para o sucesso de uma obra. 

(Foi muito interessante porque ao terminar de ler o segundo volume eu estava não tão interessada para começar o terceiro. Mas assim que o fiz, acabei devorando-o, começando em seguida o quarto, e isso em metade do tempo que levei para ler os primeiros.)

http://tinyurl.com/3kmej9b
Assim chegamos ao quarto volume. O maior e mais profundo até agora. Onde passados são revelados, não em forma de flashbacks, mas em forma de sonhos - o que confere à história uma liricidade e uma beleza ímpar. As situações se definem mais, os personagens tornam-se mais próximos, como que confidentes do leitor, pedindo um ombro, um apoio. Ou apenas um pouco de atenção. 

Ah claro, os personagens. Não precisa falar muito mais, já dá pra perceber que são muito bem construídos, cada vez mais palpáveis. E o interessante é que são todos baseados em pessoas reais - assim como as situações.

Outro traço característico notável é a própria pluralidade de traços e pontos de vista, conseguidos a partir da criação de cada capítulo por um artista diferente - tanto dentro da edição quanto de uma a outra. No início, até pode causar certa estranheza, afinal não estamos acostumados com mudanças de estilo às vezes tão bruscas dentro de uma mesma revista, mas logo depois percebemos o quanto isso é rico, uma ótima sacada! - porque o que é a vida além de diferentes traços e pontos de vista que se entrelaçam ao nosso redor?


Nota: 4,5 (recomendadíssimo, poucas restrições*)
*feitas a apenas aqueles que acham que uma obra deve ter ação para se tornar interessante. E para estes, alerto: estão perdendo muita coisa boa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Caminhos da Criação

"Criar", uma palavra que pode ser usada em várias situações, e que possui um significado central em todas: 
cuidar e ajudar no desenvolvimento de algo ou alguém.
Às vezes você apenas dá uma ajuda mais distante, outras vezes você mergulha de cabeça.

Na escrita é a mesma coisa.
E arrisco dizer que existe nessa atividade, para alguns tão necessária quanto respirar, existem ainda mais dois lados: quando a escrita é uma confissão, uma projeção dos sentimentos do autor; e quando a escrita é maior que ele, um mundo a parte onde o autor é um tradutor desse universo.

Gostaria de falar com vocês sobre o segundo caso - pois o primeiro acho que todos temos alguma vez na vida, nem que seja no querido diário da adolescência.
Já o da tradução é algo raro, pelo que eu saiba, e muito - muito! - interessante.

[Foto by Me o//]

Imagine você, caminhando por um lugar conhecido, e de repente se vê numa bifurcação. Qualquer caminho que você tome vai dar em um lugar desconhecido. Sim, você de algum modo sabe que ao final está o ponto que você quer chegar - ou ao menos deseja isso -, mas não sabe como.
Pois bem, você escolhe o da esquerda, e anda. O caminho parece que vai se aprofundando, e formas um tanto desconhecidas aparecem, ficando cada vez mais nítidas, se apresentando; algumas você faz amizade, outras te dão medo, outras ainda passam desapercebidas. E quando percebe, você está tão dentro daquele mundo, tão amigo ou inimigo, lutando e caminhando junto com seus companheiros, que a tarefa mais difícil passa a ser sair de lá.



Mas você ainda tem que chegar em seu objetivo.
Então continua sua jornada, suas lutas, sua cooperação. E sabe, de um jeito ou de outro, que aquilo existe ali, independente da sua vontade; que você está lá como um visitante, e não como um criador.

E de repente, depois de lutas, suor e sentimentos, você finalmente chega ao fim. E comemora. E chora junto. Todos estão ali com você, também dando vivas.
E depois, pouco a pouco, eles vão de dando tchau. 

Mas não um adeus, e sim um até logo, de camaradas já conhecidos, que podem se trombar por aí a qualquer hora do dia e trocar uma ideia. E conversar sobre suas vivências, relembrar acontecidos, reclamar sobre possíveis falhas e esquecimentos.


E acredito que esse seja uma das vivências mais sublimes que um autor pode ter ao escrever algo.

Afinal, como dizem alguns pensadores, a criatividade está fora de nós, e que alguns felizardos conseguem, de tempos em tempos, acessar, entender, traduzir.

O problema é como traduzir.
Mas ao menos por agora, deixemos os problemas de lado.


E você, já se sentiu assim ao escrever algo?  
:3

.
.
.
[Cotem, que hibernava, acorda e diz:
nunca conseguirei entender esses humanos]

quarta-feira, 23 de março de 2011

Resenha: Narciso - tédio e fúria


Autor(a): Roque Neto
Editora: Quártica
Páginas: 168
Publicação: 2010
Skoob: livro & autor
Onde comprarsite do livro 


"Ao leitor, a surpresa."



Sim, é exatamente como defino esta obra. Surpreendente.
Sabe quando você lê a sinopse (ou vê um booktrailer), constrói toda uma potencial história na cabeça, e quando finalmente pega aquela obra pra ler, fala "hã? Jura que era assim? Poxa, acho que me enganei..." 
Então, começou exatamente desse jeito: eu tinha visto o booktrailer, e sendo leitora de narrivas mais fantasiosas e/ou intimistas (ou seja, aquelas que descrevem detalhadamente os sentimentos dos personagens), ao me apresentar à história de Francisco (não, o personagem principal não chama Narciso! Há!) confesso que fiquei um pouco desapontada.


E por que?
Porque a escrita pareceu rasa, meramente descritiva. Eu, que esperava algo forte desde o começo, me deparei com um estilo leve, simples até demais. Com direito a algumas repetições de termos e tudo.


Mas...
É, mas...
A coisa começou a esquentar quando a história foi se desenvolvendo, o personagem se revelando, e colocando em prática suas verdadeiras intenções. E de repente me ve dentro da cabeça de um assassino. Um psicopata. E não tinha mais como escapar de lá.
Aquela linguagem antes simples e extremamente descritiva, se mostrou muito adequada às intenções - e à personalidade - de Francisco.   
E esta leitora aqui, que esperava uma retórica ao estilo Bentinho Santiago (Dom Casmurro, do Machadão), me vi em meio a uma narrativa antes subestimada, e que agora me causava todo tipo de sentimentos: torpor, náusea, revolta, dor.


E Roque Neto conseguiu manter esse ritmo até o final. Grande final. Aquele que te faz querer voltar ao início do livro, pra conferir se era aquilo mesmo - o que pouquíssimas obras consequem, e somente daquelas realmente boas. Sério, na minha vida de amante de livros, ou seja, em praticamente 20 anos, dá pra contar nos dedos os que conseguiram surtir tal efeito. E este conseguiu.


Sem contar que, pensando agora, o final é tão simples que até poderia ser imaginado desde o início, mas tão inteligente que as maquinações do personagem principal não permitem isso.
Falando em personagens, devo admitir que a inteligência e loucura de Francisco praticamente ofuscam todos os outros: uma personalidade muito bem construída, ao lado de várias outras, algumas também bem trabalhadas, outras mais normais, banais, até esquecíveis. Subutilizados? Pode ser. Mas assim é a mente de alguém narcisista: só dá importância a ele próprio e aqueles que lhe interessam.


É incrível o que um bom autor pode fazer em menos de 200 páginas.
Por isso, ofereço uma salva de palmas para o senhor Roque Neto.
E votos para que ele seja mais conhecido. Afinal todo bom autor merece.


E vocês, já tinham ouvido falar deste romance?

sexta-feira, 18 de março de 2011

Coisas da Vida

Sabe aquele clichê de lei da atração, onde se afirma que uma intenção ou uma energia atrai os semelhantes? (e aqui digo clichê não de uma forma negativa, mas como uma constatação mesmo).
E lembra o que eu disse naquele post sobre se fazer o que gosta com amor?
Então, agora vou complementar um pouco a ideia.
Porque ao se fazer algo com amor você atrai outras atividades, pessoas e energias semelhantes. Ou seja, você se expande para o mundo, e em retorno o mundo conhecido também se expande consideravelmente. E isso através de pequenas ações conversas e trocas de ideias, mesmo.

E é ai que pode começar um problema.
Porque se você for uma pessoa que ama o novo e adora participar de várias coisas ao mesmo tempo (como eu), vai querer a todo custo abraçar todas as oportunidades que lhe aparecem.
Mas pera, o dia ainda terá 24 horas, como antes. Você será o mesmo humano como antes, e portanto, vítima da exaustão.
E é aí que entra a palavrinha chave, que para alguns é a salvação, e para outros uma tortura: as escolhas.


Foto by Me o//

Pois, querendo ou não, você terá que escolher entre duas coisas que adoraria fazer, mas não tem condição de abraçá-las ao mesmo tempo.
Essa necessidade então torna-se tormento.
Em resposta, você pode tentar fazer as duas, provar a si mesmo que consegue.
Mas acaba chegando um ponto que diz, como Tevi (musical Violinista no Telhado), "se eu dobrar mais, vou me quebrar".
E a necessidade de escolha volta a piscar e pulsar à sua frente, como algo que não se pode evitar.
E é a partir daí que você deve parar e reconhecer suas prioridades. Pesar as opções, ver o que lhe dói mais e menos deixar de lado - mesmo que seja apenas por um tempo.

E é só assim, se perguntando ao coração, que se chega à resposta.

Sim, novamente caímos no clichê. E exatamente porque é uma verdade. Universal. 
E essa verdade só será tocada através do conhecimento que tem sobre você mesmo.
E isso só pode ser alcançado permitindo-se ouvir seu coração.
E assim, estabelecemos aqui mais um ciclo^^
Afinal, como disse nossa querida Yuuko-san, "no tear de nossas vidas não há pontas soltas. Tudo está interligado e entremeado de significado."

E esse significado, quem ou o que nos revelará?
Você arrisca dizer?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Resenha: Gravitation

Autor(a): Maki Murakami
Editora: JBC
Páginas: 200
Publicação: 2006
Skoob: mangá & autora
Onde comprarComix BookshopSite da JBCEstante Virtual


 Comédia, romance, ação e aventura (??): misture tudo, adicione uma pitada de purpurina, e aqui está Gravitation, um dos mangás de maior sucesso no Japão, nos EUA e no Brasil!


Narrado em forma de comédia, Gravitation conta a divertida história de Shuichi Shindou, um colegial que sonha em se tornar líder de uma banda de música techno.
Mas toda sua confiança foi por água abaixo quando Shuichi encontrou, no meio da noite no centro de Tóquio, um sujeito misterioso que critica sem piedade a letra de uma de suas músicas.
Na busca para saber a identidade do estranho que fez comentários tão duros ao seu trabalho, Shuichi descobre muito mais sobre si mesmo e percebe que seu pensamento fixo no sujeito vai muito além do orgulho ferido.
Inédito no Brasil, Gravitation terá ao todo 12 volumes com média de 200 páginas cada. Com um estilo próprio, a autora Maki Murakami mantém os personagens mergulhados entre o caótico, o belo e o cômico.
(fonte: http://mangasjbc.uol.com.br/gravitation-historia/)

Quando penso em Gravitation, o que primeiro vem à minha cabeça é comédia e grandes surpresas. Depois segue a lembrança de uma história linda e tocante. Ou seja, uma referência do gênero yaoi (relação amorosa entre homens), como já é tido no Japão, nos EUA, e também aqui no Brasil - desde antes de chegar oficialmente nas bancas pela JBC.


Trata-se de uma trama sobre homossexualiade, sim. Mas ela não se retém a esse assunto, pelo contrário: aqui se narra a batalha cotidiana de jovens em busca de um futuro, da felicidade, da superação de passados traumáticos e presentes desafiantes. E interessante é o fato de nem todos os personagens serem gays (o que costuma acontecer em outras obras do gênero), tornando a trama ainda mais plausível, verossímil.

Os personagens, muito bem construídos em suas imprevisibilidades, emoções, reações, dão à história um toque todo especial. E engraçado. E confuso. Ou seja, humano.
Uma curiosidade que se percebe ao longo dos 12 volumes da série é a evolução do traço da autora: antes um pouco desleixado, com um "pé" no "realista" (ou seja, não tão estilizado), se transforma aos poucos em algo mais maduro, feminino. E isso se percebe principalmente com relação ao personagem principal, o Shuichi. Olha só:

[Fonte: http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/ArtEvolution; montagem por: euzinha o//]
Ah, e uma ressalva a se fazer é que se trata de uma obra adulta, com cenas um pouco fortes, então pessoas interessadas de todas as idades, estejam avisadas^~

E sim, é um romance, mas em nenhum momento é clichê. Novamente porque autora estende também a subjetividade, abarcando amizade, laços interepessoais, afetivos e profissionais: de um simples desejo adolescente de criar uma banda e com ela fazer sucesso, a história se expande para todos os lados possíveis, e acaba envolvendo intrigas entre rivais, interesses - pessoais e das produtoras e gravadoras -, afeto, traição, confiança, mudança. Por parte de todos. Aqui não há vilão ou mocinho: há vidas, interesses, objetivos.

Nesta obra Maki Murakami realmete nos dá uma aula de construção de personagens e tramas, e de como uní-los maestralmente, naturalmente. E também confusamente. Afinal, este é o viver: pouco explicado, muitas vezes recheado de emoções fortes, e sempre imprevisível.

~Nota: 4,7 (recomendadíssimo, pouquíssimas ressalvas)


E vocês, conhecem a série?
o que acharam?
concordam comigo?
:3

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sair do Eu, ir para o Nós

Lembra da sua infância de brincadeiras, bonecos, e joguinhos? Então, as pessoas criativas geralmente desenvolvem suas habilidades desde essa época, em um processo de autodescoberta, ou seja, se relacionando mais com o "eu", identificando-se, percebendo seus gostos, desgostos, facilidades e dificuldades.
 
Na adolescência, período de mudanças, se tal habilidade for cultivada, ela estará em plena transformação e consolidação, assim como seu criador. Mas essa fase ainda reserva um período onde o "eu" predomina, e mesmo que as criações sejam mais maduras, a pessoa ainda reservará a criação para momentos mais solitários, introspectivos.
Essa condição pode seguir então por 2 caminhos: continuar assim por toda a vida ou evoluir.
Agora, evoluir em que sentido?

Justamente no de fazer contato com o mundo exterior: conhecer outros criativos, construir laços de amizade, companheirismo, afeto. O fio condutor é a troca de criações, próprias ou de teceiros.
Mas esse é só o primeiro passo. Pois sabe-se que todo criativo sempre busca novas formas, novos modos de realizar aquilo que gosta. E que forma nova mais fascinante existe além da criação conjunta?
Duplas, trios, grupos, mentes brilhando ao mesmo tempo.

Bom, quem trabalha em agências de comunicações, ou faz curso desta área, sabe um pouco como é isso (ou ao menos deveria saber); essa maravilhosa dimensão que é o criar com outra pessoa - com quem se tem o mínimo de afinidade, claro, pois só assim os dois têm voz ativa, e portanto criam de fato. E digo criar tanto em sentido de artes mais puras, como texto, desenho, música, quanto projetos comunicacionais, como revistas, grupos de discussão, asociações e Ongs.

Esse sim é o movimento para o "nós": é o expandir seus universos para que o outro veja, é receber os universos do outro, é misturá-los todos e ver como isso acaba gerando dimensões inimagináveis e fantásticas.
Ninguém sabe, ou pode ter noção de como elas serão. A única coisa que podemos esperar é o inesperado, inesperadamente fascinante, fascinantemente maravilhoso que é o criar no plural.
 
Foto by Me o//